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Banco Central reduz preço do dinheiro
Escrito por Carlos   
Sexta, 16 Dezembro 2011 07:06
Como já era esperado pelo analistas, o Banco de Moçambique (BM) revisitou em baixa a taxa de
juros de Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 100 pontos base, para 15%. Dessa forma, o
custo do dinheiro para os bancos fica mais barato, o que também deve tornar acessível os
empréstimos para consumidores e empresas.

O Comité de Política Monetária do BM decidiu igualmente reduzir o coeficiente de Reservas Obrigatórias
em 25 pontos base para 8,5%, com efeitos a partir do período de constituição, que inicia a 7 de Janeiro de
2012;
Manter inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD), fixada em 5% foi outra
das decisões de Política Monetária tomadas pelo BM nesta terça-feira.
Na reunião de terça-feira, o BM decidiu também intervir nos mercados interbancários, de modo a
assegurar que o saldo da Base Monetária não ultrapasse os 35.792 milhões de Meticais, no final de
Dezembro de 2011.
As decisões de política monetária do Banco Central moçambicano ocorrem numa altura em que há
fortes críticas em relação a emissão de Obrigações de Tesouro recentemente feitas pelo Governo para
financiar o défice do Orçamento de 2011 a uma taxa de juro de 18%. Para alguns analistas esta aliciante
taxa de juro levou a que os bancos comerciais investissem dinheiro na compra destas obrigações,
desviando recursos que deviam financiar o sector produtivo, daí a reacção da autoridade monetária.
O Governo emitiu obrigações de Tesouro no valor de 2,6 biliões de meticais.
Crescimento do PIB
No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que o crescimento real do Produto Interno
Bruto (PIB) moçambicano deverá manter-se acima de 7.0% em 2011, beneficiando de boas colheitas, um
desempenho robusto no sector dos serviços e a entrada de novos mega-projectos no sector de recursos
naturais.
Na sua mais recente avaliação sobre Moçambique, o FMI sublinha que, apesar dos riscos relacionados
ao ambiente económico externo, tem aumentado a estabilidade macroeconómica de Moçambique.
Faz notar que a combinação de políticas prudentes ao longo dos últimos anos deve ajudar a economia
moçambicana a mitigar o impacto de uma desaceleração temporária global.
Sublinha que o aperto da política monetária em 2011 tem sido eficaz na redução da inflação e a
execução prudente do orçamento de 2011 tem contribuído para uma combinação de políticas judiciosas,
que tem promovido a estabilidade macroeconômica num momento crítico e posicionando bem o país para
responder a riscos de deterioração caso surjam.
O FMI afirma que todas as metas quantitativas para o final de Junho de 2011 foram cumpridas, mas
lembra que o saldo das reservas monetárias do país derrapou.
Resultados macroeconómicos
A instituição dirigida por Ernesto Gouveia Gove afirma que as decisões que tomou na terça-feira têm em
vista garantir o alcance das metas de variáveis macroeconómicas estabelecidas para Dezembro do
presente ano, nomeadamente, o crescimento do PIB e a inflação, tomando como base a análise das
previsões mais recentes.
“O BM considera importante consolidar os resultados macroeconómicos obtidos até ao presente, através
do contínuo reforço da coordenação de políticas e doseamento dos seus instrumentos, utilizados para
regular a liquidez no mercado, com enfoque nos objectivos de inflação, a curto e médio prazos”, nota o
principal assessor económico do Governo.