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Alegadamente por nada fazer em prol da obra do artista Família Malangatana critica Governo
Escrito por Abdul Sulemane   
Sexta, 06 Janeiro 2012 12:10
“O que é que o governo fez até agora para preservar a obra de Malangatana? O que é que está a ser feito para a viúva de Malangatana? Ainda não estamos a sentir qualquer movimento à volta da figura de Malangatana”, lamenta Mutxine Ngwenya, filho mais velho do pintor-mor na passagem do primeiro ano após o desaparecimento físico do ícone das artes e cultura de Moçambique.


O pintor moçambicano Malangatana morreu aos 74 anos no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença, deixando órfãos nas artes plásticas e a cultura moçambicana teve uma grande perda. o corpo de Malangatana foi sepultado na sua terra natal com honras de Estado. A decisão foi tomada em reunião de Conselho de Ministros e foi decretado um luto oficial de dois dias.

Um ano depois
Nesta quinta-feira, 05 de Janeiro, assinala-se a passagem do primeiro ano sobre a morte do pintor-mor, ícone moçambicano das artes e cultura.
Contudo, a família do malogrado artista mostra-se indignada face ao que considera de alheamento governamental no que à preservação da obra do pintor diz respeito.
Mutxine Ngwenya, filho mais velho do pintor, afirmou com amargura aquando do recente lançamento da obra “Encruzilhada de culturas” que ainda não está a sentir qualquer movimento governamental à volta da figura de Malangatana, cuja obra girou à volta dos acontecimentos políticos e históricos de Moçambique, focando-se até 1975 nas injustiças do colonialismo português e na luta anticolonial e, depois da independência, nos temas centrais do país, como a guerra civil.
“O que é que o governo fez até agora para preservar a obra de Malangatana? O que é que está a ser feito para  a viúva de Malangatana?”, questinou o filho do embondeiro da cultura e um dos mais representativos de África. Foram nulos vários esforços que o SAVANA empreendeu para ouvir a posição de alguém autorizado junto do Ministério da Cultura sobre esta matéria. Mas ao que o SAVANA apurou junto de fonte bem colocada do Museu Nacional de Arte houve uma iniciativa para a constituição de uma comissão nacional para reunir e preservar as obras do Mestre, mas que foi "sabotada" pela família e pessoas próxima dela.  
Acordo com Água de Namaancha
Mutxine Ngwenya afirmou que a família é que tem envidado esforços para manter viva a obra de Malangantana.
Citou a título ilustrativo o acordo que a Fundação Malangatana Valente Ngwenya rubricou com a empresa Água da Namaacha, uma das marcas de água mineral mais consumidas no país, para a divulgação da obra do falecido artista junto da juventude.
Mutxine Ngwenya disse que o acordo com a Água da Namaacha vai permitir que a obra do artista seja difundida em camadas sociais que não tiveram contacto com Malangatana.
“A dispersão geográfica da marca Água da Namaacha traz uma mais valia para a difusão e perpetuação da obra de Malangatana em todo o país e no mundo”, disse Mutxine Ngwenya.

Recordando Malangatana
A jornalista cultural, Rosa Langa, recordou com muita emoção os vários momentos que conviveu com o mestre.
Questionada sobre a preservação da obra deste artista, Rosa langa, retorquiu da seguinte forma:  - durante as entrevistas, o pintor repetia várias vezes estas palavras: ‘’Não tenho medo da morte...Só peço aos meus amigos que cuidem bem das minhas obras’’, recorda a jornalista e escritora Rosa Langa.



Para o jovem artista plástico, Falcão, o governo podia levar avante o projecto do Centro Cultural de Matalana. “Malangatana lutou toda a sua vida para erguer aquele centro cultural. Seria bom para os jovens conhecerem melhor quem foi o mestre Malangatana. Os seus feitos. O que de alguma forma podia impulsionar esses mesmos jovens a engrenar pelas artes plásticas ou outra vertente cultural que o centro proporciona. Mas para tal é preciso ter o centro cultural a funcionar em pleno. É muita pena que o mestre nos deixou sem terminar umas das suas obras principais, o Centro Cultural de Matalana”, frisou o artista.
Para Fiel dos Santos, outro artista plástico, são várias as formas de perpetuar o nome do artista plástico mais conhecido.
“Espero que as entidades competentes tenham em conta na mudança dos nomes das avenidas e ruas conseguirem dar o seu nome como forma de mantê-lo na mente dos moçambicanos”.  

Quem foi Malangatana?
Malangatana Valente Ngwenya, nascido a 6 de Junho de 1936, no distrito de Marracuene, foi um artista plástico e poeta moçambicano, conhecido internacionalmente pelo seu primeiro nome. Produziu trabalhos em vários suportes e meios, desde pintura, escultura, cerâmica, murais, poesia e música.
Ao longo dos anos, realizou imensas exposições individuais, em Moçambique, Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia.
Foi galardoado com a medalha Nachingwea, pela sua contribuição para a cultura moçambicana,Ordem Eduardo Mondlane do 1º Grau, em 2006, investido Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.Em 1997, a UNESCO nomeou-o “Artista pela Paz” e foi-lhe entregue o prémio Príncipe Claus.
Em 2007, foi condecorado pelo governo francês com a distinção de Comendador das Artes e Letras. No  mesmo ano foi outorgado “Honoris Causa” pela Universidade Politécnica de Maputo. Em 2010 foi outorgado Honoris Causa pela Universidade de Évora  e nomeado Membro da Academia das Ciências de Lisboa.
Em vida, fez de tudo um pouco: foi pastor, aprendiz de curandeiro, empregado doméstico mas viria a notabilizar-se no mundo das artes, tornando-se num dos mais famosos artistas moçambicanos.
Malangatana Valente Ngwenya, faleceu a 5 de Janeiro do ano passado, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal, vítima de doença prolongada.